Autismo


De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - 5ª edição), o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta os indivíduos de diferentes formas na área da interação social, comunicação e comportamento.  Em linhas gerais, o TEA pode ser classificado conforme o grau de dependência, necessidade de suporte e sintomas, podendo ser considerado: autismo leve, moderado ou severo.

Sinais do autismo

Indivíduos com autismo podem apresentar dificuldade em fazer contato visual, em lidar com mudanças na rotina e em interagir com outras pessoas; problemas de comunicação (verbal e não verbal); movimentos repetitivos e estereotipados; hiperatividade ou passividade; apego a determinados objetos e problemas sensoriais (hipo ou hipersensibilidade à luz ou a sons, por exemplo).

Causas

As causas do TEA ainda são um desafio para a ciência, mas sabe-se que o transtorno está relacionado a fatores genéticos (em mais de 90% dos casos) e a fatores ambientais. A idade avançada dos pais e o uso de antidepressivos durante a gestação têm sido apontados como possíveis causas. Já o uso de drogas e álcool e infecções durante a gestação já foram descritas como fatores de risco (não causas diretas) para o desenvolvimento do transtorno.

Epidemiologia

Os casos de autismo são mais comuns do que se pode imaginar, sendo mais recorrentes entre o sexo masculino do que no feminino – a cada cinco crianças com o transtorno, quatro são meninos. O TEA pode ser observado em todos os grupos raciais, étnicos e sociais. 

O autismo atinge 1% da população mundial, ou seja, pelo menos 70 milhões de pessoas no mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos Estados Unidos, de acordo com o Center for Disease Control and Prevention (CDC), o transtorno acomete um a cada 59 indivíduos. O Brasil ainda não possui dados oficiais, mas estima-se que o país tenha cerca de 2 milhões de autistas.

Prevenção e tratamento

A prevenção do TEA consiste em aconselhamento genético e familiar para quem tem casos na família. Sequenciamentos genéticos podem ajudar a identificar uma série de mutações que já foram relacionadas ao transtorno. Uma vez diagnosticado, indica-se o tratamento multidisciplinar, que pode envolver especialistas como psicólogos, psiquiatras, neurologistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e pedagogos.

As intervenções visam dar condições para que o autista vença dificuldades, conquiste mais independência e melhor qualidade de vida. Além disso, em alguns casos, pode ser recomendado o uso de medicamentos para tratar comorbidades – outras condições que o indivíduo com TEA podem apresentar –, como ansiedade, depressão, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo Desafiador.

Na Plataforma Científica Pasteur-USP

Pesquisadores da plataforma utilizarão a tecnologia das células-tronco pluripotentes induzidas (iPSC) para modelar o TEA in vitro através da produção de células do Sistema Nervoso Central (SNC), sendo elas neurônios, células da glia e organoides cerebrais. Será possível investigar as causas do transtorno e realizar testes de fármacos, visando o descobrimento de novos tratamentos.