SPPU é novo membro da Global Virus Network


Plataforma Científica Pasteur-USP é a primeira instituição brasileira a integrar a GVN, que promove colaboração entre cientistas de 36 países visando o desenvolvimento de tratamentos, fármacos e vacinas. 


A Plataforma Científica Pasteur-USP (SPPU, na sigla em inglês) é a primeira instituição brasileira a integrar a Global Virus Network (GVN), rede de colaboração em pesquisas sobre vírus que está presente em 36 países, com 67 centros de excelência filiados. Oficializada em janeiro, a afiliação irá potencializar as pesquisas da SPPU, uma vez que propiciará maior interação entre os principais virologistas do mundo e aumentará as oportunidades de financiamento.   

Fundada em 2011, a GVN promove colaboração por meio de congressos, treinamentos, cursos, palestras e seminários regulares entre os afiliados. Grupos de trabalho, denominados de forças-tarefas, são coordenados para identificar e mitigar os efeitos de diversos vírus que são ou podem se tornar pandêmicos. Além de produzir conhecimento, esses grupos desenvolvem trabalhos em colaboração e novas parcerias que podem levar mais rapidamente a novos tratamentos, fármacos ou vacinas. 

Para a GVN, a parceria é estratégica, tendo em vista que até então a rede só atuava em três países na América do Sul: Peru, Argentina e Colômbia. “Nós ficamos muito contentes com a parceria. E eles também porque o Brasil tem um papel de destaque em toda a América Latina, não só pelo tamanho, mas pela sua diversidade e pela qualidade das pesquisas”, afirma Luís Carlos de Souza Ferreira, coordenador da SPPU por parte da USP. “Essa confiança trará muitos benefícios. Um deles será a abertura para novos financiamentos, porque a GVN tem um braço de atuação que envolve parcerias com agências internacionais de fomento e grupos vinculados a diversos governos”, complementa. 

De imediato, a SPPU irá integrar a força-tarefa de combate ao SARS-CoV-2 e suas variantes. Além de integrar também, com o passar do tempo, grupos de pesquisas sobre vírus que são endêmicos no Brasil, como o Zika, o Chikungunya, o HIV e a Dengue. “É óbvio que no momento o foco é o coronavírus, mas temos todas essas atuações no nosso escopo”, destaca Ferreira. “Em especial, a nossa atuação no combate ao Zika Vírus será muito importante, porque a GVN tem como uma de suas prioridades trabalhar com doenças emergentes que levam ao comprometimento cerebral. Esse vírus já é estudado no Brasil de forma enfática e é uma das prioridades da SPPU desde que ele gerou um surto em 2016”, detalha Paola Minoprio, coordenadora da plataforma por parte do Instituto Pasteur. 

Além de inserir a SPPU em novos grupos de pesquisa, a participação em redes de pesquisa nacionais e internacionais tende a acelerar os estudos que já estão em andamento. “Contaremos com a complementaridade de outros pesquisadores e, assim, nossos projetos ganharão acesso a dados de um grande número de pacientes acometidos por doenças virais ao redor do mundo”, afirma Minoprio.

A afiliação à GVN será a segunda participação da SPPU em redes de excelência, tendo em vista que já integra a rede Pasteur Network formada pelo Instituto Pasteur, da França, com mais de 33 institutos nos cinco continentes.